quinta-feira, 13 de agosto de 2009


Lingüiças Calabresas
Luis Fernando Veríssimo

“- Alô?

- Quem fala?
- Quem quer saber?
- Quem é, por favor?
- Diga você quem é.
- O Dr. Márcio está?
- Quem quer saber?
- Está ou não está?
- Depende.
- Depende do que?
- De quem quer saber.
- É o…
- Espere! Qual é o assunto?
- O assunto é com o Dr. Márcio.
- Pode dizer pra mim.
- Mas quem é você?
- Primeiro me diga quem é você.
- Aqui é o…
- Não use seu nome verdadeiro!
- Por quê?
- Use um pseudônimo.
- Que história é essa? Por que pseudônimo?
- Podem estar gravando.
- Quem?
- E eu sei?
- Dr. Márcio… é o senhor?
- Não. Meu nome é… Deixa ver… Balduino.
- Você se chama Balduino?
- Claro que não. É pseudônimo. Invente um também.
- Isto é ridículo.
- Eu vou desligar.
- Está bem! Frajola.
- Frajola?!
- Jaime! Jaime!
- Muito bem, Jaime. E qual é o assunto?
- É com o Dr. Márcio.
- Pode me dizer que eu transmito pro Márcio. Que também é um pseudônimo, claro.
- Márcio não é o nome do Dr. Márcio?
- Depende do assunto.
- É sobre o pacote que ele encomendou do…
- Espere! Não fale assim tão claramente. Use linguagem figurada.
- Linguagem figurada?
- É. Em vez de pacote, diga coisa. Não, “coisa” pode ser mal interpretada. Diga “encomenda”.
- A encomenda que ele encomendou do…
- Não diga o nome!
- Por quê?!
- Não queremos incriminar ninguém.
- Mas não há crime algum!
- Isto vai depender da interpretação. Esta conversa já está pra lá de suspeita.
- Eu só queria avisar ao Dr. Márcio que as linguiças chegaram.
- As linguiças. Boa, boa. O pseudônimo de “encomenda”.
- Não, são linguiças mesmo.
- Um pacote de linguiças?
- É. Calabresas. Que o Dr. Márcio encomendou do… De alguém.
- Já entendi! Já entendi tudo. Você é que está gravando este telefonema. Esta conversa toda é para me incriminar. Ou incriminar o Márcio. Pseudônimos. Linguagem figurada… Já vi tudo! Amanhã ela sai no Jornal Nacional, e é óbvio que “pacote de linguiças calabresas” vai parecer código.
- Mas foi você que sugeriu os pseudônimos, a linguagem figurada, o…
- Arrá! Vocês não me pegam. Nego tudo. Aliás, nem sou eu falando. Provem que sou eu.
- Quer saber de uma coisa, seu Balduino? Pra mim chega. O recado está dado. As linguiças chegaram. Passe bem.
- Espere. Agora me lembro. As linguiças que eu encomendei. Calabresas.Claro, claro. Me lembrei.
- É o senhor, Dr. Márcio?
- É. Claro, claro, sou eu. Desculpe. Sabe como é. A gente vai ficando meio paranóico…"

6 comentários:

Angela Raquel 13 de agosto de 2009 08:21  

AH QUE TRI!!!!
UM NOVO PERNUDO NO AR!
TA MAS EU NAO VI AS PERNAS? TUAS NAO DO PERNALONGA!!!!

Fifi 13 de agosto de 2009 14:45  

Eu só queria entender a relação da girafa com o texto...

Pedro 14 de agosto de 2009 12:00  

A girafa é a Melman do Madagascar e ela é paranóica, bem como uma pessoa que eu conheço... hehehe! E o texto se vocês não prestaram atenção é muita paranóia!

Claudia 14 de agosto de 2009 14:19  

Perna fina. Com a reforma ortográfica os ditongos eu e oi não têm mais acento. Então por favor "desacentue" a paranoica. Beijo da "mami", paranoica por Português.

Claudia 15 de agosto de 2009 14:02  

nem assim tu me corriges, né?! é ei e oi que perderam o acento....dãããã

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